Motivação Pessoal

Desde criança nunca fui dos mais motivados com coisas da vida, não sei bem porque, mas sempre tive essa tendência a ser um pouco mais desanimado do que animado com situações ou mesmo probabilidades de acontecimentos, embora assuma que sempre tive esperanças de coisas boas acontecerem.

A partir de um momento da minha vida, acho que aos 17 anos (sim, demorou), cansei de ser tão pessimista em relação a vida em si; Comecei então a procurar o lado bom de todas as coisas e a me sentir bem mesmo em um domingo tedioso assistindo a programação da TV.

Só que esse tipo de motivação tem seus altos e baixos quando se trata de uma pessoa que viveu a infância e adolescência inteira pensando de uma maneira pessimista: Qualquer tipo de “desmotivação” acaba com toda a motivação prévia. Como sempre me cobrei demais, os motivos desmotivadores se multiplicaram e coisas do tipo “uma nota ruim na faculdade” ou “um erro que cometi com algum amigo, mesmo que leve” levaram ao desânimo intensificado. Aquela sensação de “não estou ‘afim’ realmente de coisa nenhuma”.

Eu disse essa introdução sobre parte da minha personalidade erronea para explicar que, nesse exato momento, estou em uma dessas situações de desânimo intensificado, ainda que o fato de eu reconhecer essa situação ajude a tentar mudá-la. Explico alguns dos motivos (alguns bem bobos, por sinal) para esse dejavu desanimador:

1 – Cheguei na Califórnia, berço de tantos sonhos por tanta gente que assiste séries de TV, como um rapaz de olhos brilhantes procurando novos amigos, novas experiências, melhorar o inglês e aprender novas matérias relacionadas à minha área. Por fim, também queria (na verdade ainda quero) uma melhoria pessoal, de personalidade mesmo, para tentar desintensificar ao menos alguns aspectos ruins que vejo em mim.

Porém nem tudo são flores; me frustrei. Absurdamente por sinal, porque vi, em um choque absurdo com a realidade, que o Brasil era o melhor lugar para conhecer pessoas, não aqui. Na verdade, sendo mais justo, acho que o Brasil é o lugar que eu prefiro para conhecer pessoas… Devido a alta abertura que os brasileiros dão para esse tipo de relação interpessoal.

Americanos são fechados. Não digo isso como algo na superfície por falta de tentativas. Eu tentei ser amigo de muitos americanos; entrei em uma fraternidade americana até. Mas não rolou. Parece que a maioria deles tem um certo receio a um simples “vamos sair pra um barzinho tomar uma cerveja algum dia desses”, mesmo após conviverem com você na mesma classe (e no mesmo projeto em grupo) durante três meses inteiros. Vejo que isso é um problema da maioria dos brasileiros que estão aqui no mesmo lugar que eu estou, talvez com uma facilidade maior para as meninas.

2 – Ao me sentir sozinho, desanimei em um nível médio-alto e acabei parando de ir na academia. Eu sou muito fixado com meu corpo, e isso de parar com a academia só me trouxe mais desânimo.

3 – É um requerimento do programa que estou arranjar um estágio por conta própria nos meses de verão (férias daqui) ou pegar alguma matéria de verão. Eu não queria matéria (na verdade continuo sem querer). Acho que três trimestres, que totalizam relativamente nove matérias são tempo o suficiente de aulas em si; Queria algo prático… um estágio na minha área.

Aqui existem diversos estágios, não dá pra negar. E eles pagam o triplo do que um estágio no Brasil me pagaria, mas se você é um estudante internacional com inglês como segunda língua e que vai ficar só um ano nos EUA (com uma restrição de ficar 2 anos após isso no Brasil) vai penar para arranjar algo. As empresas querem quem eles sabem que podem contar depois, ou quem eles sabem que já tem uma experiência prática o suficiente, ou que, pelo menos, falam inglês em sua totalidade.

Meu problema nunca foi o inglês, na verdade eu chegava a falar muito bem em entrevistas, sem qualquer pausa constrangedora para voltar ao raciocínio inicial ou para achar palavras. Porém a restrição relacionada ao visto de estudante e ao “vou ficar aqui apenas um ano” complicou a situação.

Mesmo com todos esses problemas, após uma intensiva procura de estágio em diversas fontes diferentes, achei. Consegui um bom estágio na área que eu queria. E parei de procurar a partir do momento que recebi um “estamos já preparando os seus documentos aqui para te enviar a proposta de trabalho”. O que poderia dar errado depois disso? Pois é, deu errado.

Três entrevistas (e semanas) após o contato inicial com o diretor que queria me contratar, o projeto novo que eu participaria teve o financiamento cancelado. E sobrou para mim. Detalhe que não chegou nem a ser minha culpa, por uma tosse numa hora errada na entrevista ou alguma palavra que eu tenha dito errado. Isso surgiu de uma terceira parte, quebrando totalmente todos os planos que eu tinha envolvendo o salário que provavelmente receberia.

Não estou aqui para dizer que estou na pior situação do mundo, porque sei que não estou. Muito pelo contrário, estou em uma excelente universidade americana, recebendo boas notas e conhecendo alguns poucos bons lugares. Mas não vou mentir que em uma escala de desãnimo, esse acontecimento fez com que ela quase explodisse.

Não parei de lutar, obviamente. Se tem uma coisa que minha personalidade cheia de defeitos tem como correta é de não desistir fàcil dos objetivos centrais que tenho. Porém, mesmo após conseguir outra oportunidade (não tão boa quanto a primeira, diga-se de passagem), não consigo botar minha motivação pessoal em um nível mais alto.

Por fim se resume àquela velha história de “pensamento positivo e cabeça erguida”. Só que quem criou esse tipo de pensamento obviamente estava bem no momento, não é algo trivial simplesmente parar e pensar “está tudo perfeito, estou animado com a vida”.

O änimo sempre vem dos acontecimentos.

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