Here we go again

Ok.

Enquanto procuro palavras pra descrever o que eu queria desabafar aqui, tudo o que eu penso em dizer é: “ok, Cristiano”.

Não me dou tão bem com as palavras quanto lidei um dia, assim como não lido melhor com a vida do que lidei antes. E eu lidei bem mal, vamos concordar.

Eu tenho 24 anos e estou preso em uma mente bagunçada em um loop infinito de “estou melhorando” e “tanto faz tudo isso”. Não me sinto bem 90% do tempo e não estou feliz 100% do tempo com… bem, tudo.

A questão maior desse texto meio monossilabico é que eu cansei. Sinceramente, eu cansei. Com negrito e tudo mais porque eu não aguento mais escrever sobre mim, sobre quão dolorida é minha cabeça ao pensar. Eu não me importo mais com todos os sonhos que eu tinha ou haveria de ter, eu não me importo mais se meu time ganhou, se minha comida tá boa, se eu estou a caminho de ser alguém importante. Eu só quero paz.

Paz, PAZ! POR FAVOR ME DEEM PAZ!

Minha mente não se contenta em focar em uma coisa de cada vez, não se contenta em tentar lidar com os problemas de uma forma que eu não saia cada vez mais magoado. Ela não liga pra nada, nem pra ninguém. Ela só quer servir de nó em minha guela, só quer servir de loucura, de estresse. Ela quer me matar.

Não, não estou falando que eu quero, bem, morrer. Estou falando que minha mente quer me levar a insanidade, a viver infeliz, viver sem alma, sem sorrisos, sem prazeres, ela quer que eu fique constantemente preocupado com o que pensam, com o jeito que ajo, com o que sou, o que poderia ser, o que queria que os outros pudessem ver. Ela não quer ficar tranquila, ela quer me entregar ao caos e esperar que minha alma e sonhos deteriorem-se com uma rapidez de uns poucos anos.

Eu fui num psicologo. Ele disse que tenho 30 anos.

Ele não queria me ver mal. Nem queria me assustar. Ele disse o que viu.

Deixei de ser um jovem sonhador que procurava construir um mundo de sorrisos ao seu lado e virei um sujeito amargurado no qual o único prazer em sua realidade é fugir dela mesma. Eu me afasto de pessoas e me preocupo com elas ao mesmo tempo. Elas não sabem mais o que dizer, o que fazer pra me confortar. E eu não sei mais quão pesada está sendo minha existência para elas.

Eu me sinto amarguramente sozinho. Não me sinto nem dentro de mim mesmo. Sinto um vazio grande que ocupo com distrações televisionadas, distrações computadorizadas, distrações embriagadas. E cada vontade de mudar que tenho se transforma em angústias de não conseguir sair desse buraco. Minhas distrações não se transformaram em necessidades, mas sim o que sinto necessário não passam de ilusões que penso em um dia e esqueço no outro.

Eu tenho que… Eu preciso de… Eu deveria…

Ele também falou que me cobro demais.  Onde já se viu dizer que minhas obrigações deveriam ser coisas que eu realmente quero? Onde já se viu analisar palavras que digo como se fossem retratos do porquê me sinto tão sufocado todos os dias?

Ele estava certo. Mas eu o dispensei. Desisti, como desisto de tudo que não vejo a luz no fim do túnel. Eu acreditava nele. Eu realmente acreditava nele, mas essa mente não me deu descanso. Então, cansado, eu deixei de escrever mais uma página.

Eu estou no capítulo 24 de um livro que só dá voltas e voltas. Que faz o leitor dormir esperando algo de novo.

E o novo não chega nunca. O livro anda anos e anos com muitas mudanças na paisagem e pouca no personagem. Ele continua parado, esperando a paz, esperando que seu fantasma desista de empurrá-lo tanto para o chão gelado.

Quando foi que faltei na explicação do professor sobre como sair do loop infinito? Quando foi que esqueci o que me transforma no alguém que as poucas pessoas que restam dizem ser especial?

Eu quero respirar de uma vez por todas. Eu quero parar de escrever sobre mim…

 

Entretanto aqui estou, escrevendo…

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