Apenas dançar

Acho que faz um tempo considerável que deixei de me manifestar em textos longos que retratam o que eu quero desabafar, mas que não quero importunar outras almas com meus desvaneios.

Hoje vou falar de algo diferente, algo que vêm me mantendo vivo durante esse tempo que minha vida não passa de um turbilhão de mudanças e testes de sobrevivência.

Hoje eu vou falar sobre uma visão que não condiz com o que eu fazia em meus ultimos tempos, uma teoria que nunca passou por minha cabeça e que vem conseguindo se manter perante a todas as outras teorias (algumas até eram certezas) que eu havia pensado nesses 24 anos.

Sobrevivência.

Eu nasci em uma boa família, fui filho único e por isso me aprendi a me virar sozinho desde sempre, visto que meus pais faziam faculdade ou trabalhavam. Eu esquentava minha comida desde os 9 anos de idade (no microondas, ok, mas ainda assim), e vivia na minha TV, minha realidade e minha imaginação na hora de brincar. Não vou mentir que não era sozinho, porque várias vezes eu parava pra pensar o quão interessante seria uma companhia ou mesmo quão legal era a ideia de jogar bola na rua, posteriormente eu pude fazer todas essas coisas, mas nessa época eu era de certa forma “trancado em casa”.

Nessa infância surgiu o apego por computadores, eu brincava de fazer sites com 12, 13 anos de idade. E achava isso bem divertido. Entretanto também surgiu nessa infãncia o motivo de eu explicar sobre ela nos ultimos parágrafos: Surgiu minha visão idealista e pessimista da vida.

Não foi na adolescência que tive meus primeiros pensamentos depressivos porque minha realidade não condizia com o que eu achava divertido. Na infância eu era motivo de zoação e por ter uma séria mania (até hoje, aliás) de levar meio a sério demais as coisas, essa zoação não parou.

Explicando um pouco sobre minha visão: Eu acreditava em sonhos, acreditava que eu ia ser um Cientista da Computação com uma futura esposa e rodeado de vários amigos. Não ficaria mais aquelas noites sozinho pensando como seria boa uma companhia.

A questão é que eu apanhei demais tendo essa visão; por ser sonhador, eu tinha em boa parte meus sonhos acordados destruídos por pessoas que achavam apenas estar brincando comigo. Tive minha primeira “carta de amor” distribuída perante a sala inteira quanto eu tinha 12 anos e mal idade pra lidar com toda a situação ~ele gosta de alguém~. Isso, especificamente, não me deixou marcas, mas a junção de vários acontecimentos semelhantes me deixaram uma marca que me seguiu e segue durante toda a minha vida: a insegurança.

Não digo a simples insegurança que é resolvida quando se recebe um elogio, eu tenho até hoje uma insegurança tão forte que até mesmo fatos concretos não a tiram (passar na faculdade, entrar num bom emprego, beijar uma garota que eu considere bonita). Isso não se esvai.

O motivo desse texto todo não é contar toda minha vida, mas dar um pouco (muito) de contexto sobre o que eu vou falar agora:

Eu cansei.

Não cansei de viver, não cansei de andar ou mesmo de conversar com as pessoas. Até mesmo não cansei de tentar melhorar a mim mesmo. Eu só cansei de me importar tanto. De ter essa visão de futuro sobre uma felicidade com familia ou a visão que todos a minha volta tem de “você deveria estar super feliz com sua vida”. Eu não estou, mas não estou triste também. Eu apenas acordo, dia-após-dia, tentando sobreviver a ele, apenas.

Sobreviver à minha insegurança; sobreviver àquela brincadeira que eu no fundo levei a sério, mas que tento (sem sucesso, aliás) disfarçar; sobreviver a um término de namoro que, por mais que não surpresa (desde o começo do ano não estava bem), traz uma séria angústia a cada dia; sobreviver a meu medo de estar sozinho; sobreviver à falta dos amigos que vivem outras vidas; sobreviver a mim e minha mente destrutiva.

Soa infeliz, eu sei, mas o famoso “get through each day” que as vezes ouço nas séries que assisto nunca soou tão real, tão verdadeiro. E eu apenas estou aprendendo a aceitar esse fato.

Talvez pra pessoa que esteja lendo isso soe exagerado, soe como alguém que está apenas numa má fase, mas não sonho há dias; não choro há meses; não escrevo poesias há anos.

Chegou o tempo de apenas dançar.

 

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